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O Design da Marca do Governo Federal (2016)

Design

Capa do Manual da Marca

A novela da nova “identidade visual” do Governo Federal ainda está longe de acabar. Foi recém lançado os arquivos vetoriais e o manual de “uso” da marca.

Antes de mais nada quero que fique claro o motivo pelo qual eu uso aspas na maior parte do texto. O fato é que está tão mal produzido que é difícil de usar as terminologias para o que foi feito, então achei mais justo simplesmente usar aspas para poder não afetar tanto esses conceitos, até porque termos como logomarca, tipologia e vinheta, são recorrentes no manual. Farei o possível para ser imparcial no que diz respeito a esse lixo manual de uso.

Instruções

O manual logo de cara apresenta um conjunto de instruções mínimo sobre como o designer deve agir com a marca. Parece realmente um manual feito por alguém que simplesmente picotou elementos de outros manuais da internet. Parece algo feito em uma gráfica rápida. Não há instruções de dimensões dos elementos, não há informações de conceitos, não há informações de uso com marcas de terceiros, não há variações lógicas e exemplos razoáveis, não há nem mesmo informações sobre a tipografia!Tudo demonstra ter sido feito sem pensar e simplesmente jogado.

Organização

O material não está nada organizado. Está confuso, os poucos exemplos são jogados sem uma diagramação lógica. Parece que foi feito no Word. A tipografia do material está confusa e conflita com as informações. É trocada constantemente. As imagens são jogadas de forma totalmente irresponsável e confusa, sem alinhamento ou qualquer preocupação com a leitura do material.

Exemplo do Manual da Marca

A lista de problemas do manual da “Identidade Visual” per si

  • As cores são jogadas, de forma despreocupada. As variações RGB são conversões automáticas das cores do CMYK;
  • Só há informações de cores no que diz respeito a versão sem gradiente.;
  • As informações das cores do gradiente não são dadas;
  • A aplicação sobre fundos é rasa, chama de positivo e negativo o que nada tem a ver com negativo e positivo. Simplesmente não há informações sobre o que fazer quanto a fundos com imagens ou com outras cores sólidas;
  • As versões monocromáticas são ridiculamente irreconhecíveis. As estrelas se tornam invisíveis e parecem mais quebras e falha de pixels na imagem;
  • A assinatura do lado das secretarias é organizada totalmente no acaso. Nota-se um erro primário no espaçamento referente ao título das secretarias e a marca, tanto na vertical quanto na horizontal.
  • Em 4cm eles já querem que use a versão completa, com estrelas e a versão miminizada possui o subtítulo “Governo Federal” tão minúsculo que fica invisível;
  • Não há malha de construção;
  • Informações de tipografia são completamente zeradas, e a única coisa que é falada é que deve-se usar a fonte Gotham e nem especifica suas variações de uso! E na identidade ainda tem escrito “tipologia“.

Uso da marca do Governo Federal 2016, com assinaturas

Concluindo

É tão difícil explicar o quanto de coisas que faltam nesse manual. Não há informações sobre como deve ser usada a identidade, não há exemplos de papelaria, não há descrição de como deve ser escrita, não há nenhuma informação realmente útil. Notoriamente, nota-se que a identidade visual foi feita às pressas, sem estudos e com um apanhado de coisas absurdas e mal acabadas. Realmente é uma vergonha para o design nacional que algo assim represente a nação. Vale lembrar que a marca foi “doada” pelo publicitário, ou marqueteiro (não sei como ele se denomina), Elsinho Moucoe, em afirmação para a imprensa, ele disse que a marca custaria 100 mil reais, mas que parece mais que ele fez na gráfica rápida da esquina.

Analise, por sua conta o risco, o manual da marca do Governo Federal (2016).