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Sobre Rodrigo Portillo

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Muitas pessoas se perguntam “quem so eu?”.  E muitas pessoas também perguntam “quem é você?”.

Para responder a mim mesmo e as outras pessoas resolvi criar este artigo que fala um pouco de quem eu sou, do âmbito profissional ao cresciemnto intelectual. Não vai ser uma história de romances feridos ou pensamentos existências, mas sim, um relatório de como eu cheguei em minha profissão e meu nível de conhecimento.

Como poucos sabem, meu pai era boliviano. Desde novo ele se interessava por piano, mas, por nunca conseguir tocar, se interessou pelo o conhecimento sobre como o rádio tocava música. Por não encontrar por lá estudo na área de eletrônica, após um longo caminho, veio ao Brasil de trem e ônibus, sem saber falar português, em busca de seu estudo.

Ele arrumou então um emprego na ABC, a voz de ouro, enquanto fazia seu curso de engenharia no Mackenzie. Após alguns anos, foi transferido para o Recife, onde se casou com minha mãe, e uma semana após o meu nascimento, ele se tornou supervisor geral da fábrica da Philips em Pernambuco. Mas desde que me entendo por gente, meu pai e minha mãe são separados.

Durante a década de 80, diversos lançamentos interessantes vieram na área da eletrônica, inclusive o advento de chips e da microleletrônica. Meu pai era apaixonado pela microeletrônica. E, naquela década, surgiram os primeiros computadores pessoais de verdade, como o Apple II e o PC IBM, que rodava o MS-DOS, baseado em Basic. No Brasil, houve uma demora para a chegada dos microcomputadores, mas, como o meu pai era responsável por vários tipos de equipamentos, era acessível para ele comprar máquinas cada vez mais baratas.

Cresci vendo capacitores, transistores, cercado de leds por todas as partes. Meu pai tinha grandes torres de isopor cheio de diferentes peças e ferramentas. Ele se trancava em sua sala de ‘ciêntista maluco’ e começava a projetar inúmeros equipamentos, principalmente destinados a telecomunicações.

Quando eu tinha meus 5  anos, apesar de termos videogames, videocassetes, vários televisores e até mesmo uma televisão de LCD (sim, por incrível que pareça, em 1990, em 1992 ele ganhou outra, da empresa, para uso em veículos). Ele apareceu, para mim e para o meu irmão com um grande aparelho, do tamanho de uns 3 videocassetes, com encaixes para um cartucho, mas não era um videogame, tinha um teclado e um grande livro escrito CONHEÇA SEU EXPERT. Sim, tratava-se do MSX da Gradiente, um microcomputador baseado em sistema BASIC. Naquela época, eu não fazia ideia de quão caro era um computador como esse. Ele funcionava ligado em nossa televisão de 20 polegadas, era basicamente pixels em cima de uma tela preta. Só tinha 16 cores, o que era fenômenal para a época, e incríveis 80Kbytes de RAM.

Meu pai nunca mexeu realmente no MSX. Mas ele tinha uma visão além de sua época e acreditava que seus filhos deveriam conhecer o computador antes de todos. Ele praticamente obrigou o meu irmão mais velho a estudar planilhas eletrônicas.

Para quem não está muito por dentro da história dos microcomputadores, quando o Apple II foi lançado, não haviam programas que valessem a pena para pessoas normais gastarem seu dinheiro com essas máquinas, foi quando surgiu o VisiCalc. Quando um contador precisava mudar alguma informação em uma planilha, ele precisava recalcular vários campos, agora era possível utilizar o poder dos computadores. Junto ao VisiCalc surgiram os grandes bancos de dados de computadores direcionados para empresas. Nessa mesma época, surgiu a profissão de analista de sistemas, que, basicamente, como era complicado operar computadores na época, era necessário um estudo técnico específico para isso.

Enquanto meu irmão era cobrado para aprender planilhas, eu passava a maior parte do meu tempo jogando joguiinhos para MSX. Entretanto, não contente com os jogos, eu pegava o livro “Conheça seu Expert” que acompanhava o aparelho. No livro havia alguns códigos que tinham por finalidade desenvolver algumas animações simples. Nessa época, não haviam HDs em microcomputadores comuns, e não tinhamos disquetes e nem gravadores de fitas. Na minha memória os códigos eram enormes e realmente eu não me lembro como era que a gente compilava. Eu me lembro bem que uma das palavras mais usadas nos códigos era ‘goto’ (que eu chamava de gôto). Acontece que eu preferia sentar e copiar os códigos que haviam escrito (eu já lia bem, meu pai me estimulou colocando em uma turma particular) que o resultado era uma coruja ou uma nave espacial que viajava aleatóriamente entre estrelas. Claro, era algo simples, no maior estilo “Atari”, mas foi o suficiente para impressionar meu pai e estimulá-lo a comprar mais computadores no futuro.

Poucos anos depois, meu pai recebeu uma proposta de trabalhar em uma empresa de satélites em São Paulo, então, meu irmão e eu fomos morar com ele. Logo que chegamos em SP meu pai adquiriu um novo computador, entre o final de 92 e começo de 93, tratava-se de um Intel 486 de 8MB de RAM e 800MB de HD, o nosso primeiro computador com cara de computador. O computador conseguia pegar até 16 bits de cor e o monitor era SVGA. No windows 3.11, porém, ele só alcançava até 256 cores (8bits indexados).

Conheci então jogos épicos e talvez tenha sido a época de ouro dos jogos para computador. Grandes clássicos como Where’s in the world is Carmen Sandiego, Stunts, Lotus, Prince of Persia 1 e 2, Wolfstein, Hexagon, MegaRace, Out of This World, Monkey Island, Doom, King’s Quest, Broken Sword: The Shadows of Templars, Duke Nuken 1,2 e 3D, Kommander Keen, a trilogia Alone in the Dark, Boxing 4D, dentre inúmeros outros que ajudaram a construer a história da computação gráfica.

Mas eu não era somente aficionado por jogos, eu também queria entender como eles funcionavam. Nessa mesma época, eu tive a oportunidade quase única de ter um Kit Multimídia. Para quem é mais novo, antigamente, quando você comprava um leitor de CD, para o computador, não vinha somente a unidade de CD. O pacote de um kit multimídia vinha diversos CDs, caixas de sons e microfones realmente potentes, uma placa de som geralmente Adlib, SoundBlaster ou Pioneer, até mesmo Yamaha, para o MID. Era um pacote completo de entretenimento e estudo. Nessa mesma época, foram lançados as enciclopédias digitais, como o Almanaque Abril e o Infopedia (The ultimate multimedia encyclopedia and references library). Eram fontes de conteúdo impressionantes, cheios de vídeos, músicas, coisas que, hoje banais, eram espantosas e fenômenais para nós. Um jogo chamado MegaRace, dublado pelo o mesmo dublador do Shiryu (dos Cavaleiros do Zodíaco) foi uma das imagens mais memoráveis que eu tenho: “Você está jogando Mega Race!”.

Mas eu não me interessava somente por entretenimento. Eu sempre fui interessado por notas altas, eu era o pseudo CDF de cara fechada que apanhava as vezes, mas eu era até que sociável, mas sempre fui o patinho feio. Então comecei a ver na intelectualidade uma forma de sobresair-me diante à minha feiura. Nessa mesma época foi lançada a famosa Revista do CD-ROM, que todo o mês trazia consigo aplicativos interessantes para quem trabalhava com computadores. Eu já era bem enxerido. Comecei a fazer as capas de meu trabalho em 3D, utilizando um programa para criação de vinhetas chamado Flying Fonts. Apesar de ser uma versão de demonstração e virtualmente impossível de salvar, descobri que se eu desligasse o windows, com o programa aberto,  ele perguntava se eu queria salvar. De modo que eu podia brincar com alguns projetos mais longos… apesar de eu ter perdido um batman 3D, depois de 5 horas, em uma falta de energia. Na época, os computadores não travavam tanto.

Para conhecer e comprar equipamentos tecnológicos mais interessantes, meu pai nos levou para conhecer o Paraguai. Lá ele comprou um osciloscópio e o meu primeiro scanner, um scanner de mão da marca Genius, que conseguia digitalizar até 256 cores. Compramos uns videogames e outras coisas. Também compramos um CorelDRAW pirata. Em meados da década de 90, o CorelDRAW era o único programa de desenho vetorial disponível para PC e encontrar programas piratas era realmente difícil, além do fato de que não havia números seriais para confirmar a originalidade dos programas. Meu pai também era realmente interessado que eu aprendesse AutoCAD, que eu só comecei a aprender em 2000.

O final dos anos 90 foi o ano de transição entre 2D e 3D, a intensidade de jogos 3D estavam aumentando de uma forma impressionante. Foi o surgimento de Jogos como Quake e Unreal, que realmente trabalhavam com 3D puro, seguidos por Hexen e Tomb Raider. No cinema, animações como Toy Story começavam a surgir. E, em pouco tempo, a NeXT seria comprada pela Apple, depois deles verem a ascenção da Pixar, após a quase queda.

Em 1999 eu fui para a Bolívia e comprei o meu primeiro Scanner, mais ou menos nessa época eu fui apresentado ao Photoshop, junto com o meu Pentium III, que ganhei do meu pai. Meu irmão não era tão aficcionado quanto eu. Dois anos depois tive o meu primeiro DVD Player, era um Combo da Sony. Entre 1999 e 2001, comecei a estudar um monte de ferramentas para criação de jogos. Programas simples, como o Mugen e os diversos programas para criação de jogos simples. Foi quando eu notei um interesse maior pelo design, e desenvolvimento de ilustração manual pintados pelo computador. Inicialmente usava programas como o PhotoFinish e o CorelPhotoPaint, mas não demorou muito para eu me apaixonar pelo Adobe Photoshop.

No começo dos anos 2000, eu tive que procurar escolher uma carreira, uma profissão. Quando eu era pequeno, eu queria muito ser cantor ou ator e eu era bom com oratória. Sempre fui um tanto revoltado e cutucava e corrigia erros de meus professores, que geralmente ficavam irritados. Como eu fazia cursos de inglês e lia muitas enciclopédias, eu tinha uma quantidade razoável de conhecimento atualizada, como o conhecimento do quinto estado da matéria, comprovado somente em 1997, dentre outras coisas. Apesar de eu já usar a internet desde 1997, foi nos anos 2000 que começou a ficar algo mais interessante, pois a quantidade de conteúdo e notícias foi aumentando. Eu estava na internet no caso de 11 de Setembro, e lembro bem as notícias pulando diante dos sites.

Eu não me interessava realmente por exatas ou desenvolvimento, eu queria ter a oportunidade de criar coisas, desenvolver algo, projetar e me interessei muito por cinema e animações. Não havia curso de cinema em 2002, e eu fiz o vestibular, na UFPE, para Licenciatura em Ed. Artística/Artes Cênicas, como uma oportunidade para criar qualquer coisa, elaborar roteiros, atuar, criar histórias, etc. Passei.

Meu pai não me estimulou muito quanto a faculdade e estudos. Fiz pré-vestibular e escola pública. Além de ter feito uma faculdade pública. Meu pai me dizia que ele não incentivava porque sabia que eu conseguiria me virar, sabia que eu não ia precisar disso.

Por um tempo, além de atuar, eu era responsável por toda a parte gráfica dos anúncios do grupo de teatro que eu fazia parte, e, paralelamente, eu escrevia diversos roteiros, que hoje, pretendo transforma-los em jogos. Ao mesmo tempo, eu comecei a me interessar pela plataforma Flash, na época ainda em Action Script 1 e usado por sites como o Charges.com. Comecei a desenvolver o meu conhecimento em CorelDRAW e Photoshop.

Em 2004, minha mãe se separou do então marido e precisei arrumar um emprego. Eu estava fazendo um curso profissionalizante de Design Gráfico, que eu logo entendi que era um curso de “mexer em programas”, que por sinal, eu não aprendi muito.  Então comecei a trabalhar numa gráfica rápida, não deu muito certo. Eu nunca fui um cara de aguentar algo calado ou de fazer coisas que eu considero anti ética. Quem conhece gráficas rápidas, sabe do que eu estou falando. Logo me demitiram e me demiti, foi algo meio que recíproco. No mês seguinte eu já estava lecionando no mesmo local que eu estudava, no curso profissionalizante, dando aula de pacote Office, WebDesign e Design Gráfico, mesmo nem tendo terminado o curso ainda. Passei alguns anos lá ainda.

No tempo que eu comecei a lecionar em cursos profissionalizantes, também fui indicado para lecionar no curso de extensão do Núcleo de Tecnologia da Informação, na Universidade Federal de Pernambuco. Basicamente eu atualizava profissionais formados às novas tecnologias. Cursos de Photoshop, CorelDRAW, Illustrator, InDesign, etc.

Na época em que eu lecionava, eu comecei a aumentar meu networking, eu treinei pessoas como Camila Coutinho nessa época, que resultou, em parte, na formação do blog Garotas Estúpidas, famoso blog dela.  Também treinei o pessoal da Fundaj, uma equipe de recuperação de fotos onde eu realmente aprendi muito sobre a evolução da recuperação de fotos antigas. Outras pessoas como fotógrafos e jornalistas também me ensinaram coisas muito interessantes.

Comecei a me interessar, e muito, pelo o funcionamento das coisas, o por quê para mim era tão ou mais importante do que o resultado. Comecei a assistir documentários, e ler livros. Fui para São Paulo novamente, comprei minha tablet para desenho, comprei livros sobre InDesign, Dicionário de AS 2.0, dentre outros livros técnicos. Em 2005 comprei o meu primeiro computador com o meu próprio dinheiro. Era um Sempron 3000 64 bits. Eu suava o XP x64 e tinha 2GB de RAM, com 256MB de vídeo. Era muito para a época. Meu pai pagou a vista e fiquei pagando a ele todo o mês, até completar os 3 mil e 500 reais que eu tinha gastado, mil reais foi só o monitor, um lindo monitor samsung de 19”, com tela anti-reflexo… saudades.

Quando eu finalmente comecei a dar aula de AutoCAD, o meu pai veio a falecer e, infelizmente, eu não pude dar esse orgulho a ele, já que ele era fascinado para que eu aprendesse AutoCAD desde que eu era pequeno. No mesmo ano eu casei e continuei com o estudo, comecei a trabalhar como freelancer e dando aulas no NTI/UFPE e em alguns cursos profissionalizantes.

Com o casamento, a minha esposa queria que eu arrumasse um emprego fixo, o que para ela seria “estabildade”. Comecei então a me aprofundar em ActionScript e me interessar mais pelo profissionalismo e metodologias. Durante a busca por empregos, passei algum tempo em autorizadas Adobe, centros filantrópicos e até trabalhando com empresas de bordados, encontrei, então, um espaço, desenvolvendo em AS3, com a tecnologia Flex. Nessa mesma época eu conheci o Illustrator mais a fundo e mandei o CorelDRAW para o beleléu.

Eu não sacava quase nada de Flex, conhecia assim, por cima. Mas não foi complicado, pois eu já havia me aventurado algumas vezes com o VB.net, inclusive desenvolvi um pequeno programa de cadastros de eventos. A linguagem era bem semelhante, até mais simples, porém com alguns bugs. E, além disso, eu tinha sido contratado como designer e não como desenvolvedor. Foi quando começou uma enorme crise existêncial.

Eu era designer, imaginei que seria contratado para elaborar telas, otmização, interação,heurística, etc. Mas, no meu primeiro dia, eu estava sozinho no projeto e meio que me jogaram no maior estilo “começa aí”, sem nenhum projeto, arquitetura nem nada. Simplesmente me deram o programa feito em Delphi deles (sem o código, só rodando) e disseram, faz uma versão em Flex. Acabei tendo que decidir tudo, como implementar, criar classes. Como eles queriam que usasse PHP como backend, tive que aprender a integrar o banco de dados. Criei todos os ícones, skins, criei diversos componetnes. Eu criava a classe de controle das janelas, criei as classes de exportação para Excel e etc. Enfim, todas as funções e classes eu criava, e sozinho, e ainda projetava, organizava tudo como eu queria ou achava melhor. Havia um gerente de projetos, mas ele não gerenciava nada. No máximo, me tirava umas dúvidas de conceito. Somente com 3 meses, e após eu ter criado uma classe núcleo, que controlava a base de toda a aplicação, trouxeram um desenvolvedor para me ajudar e um segundo designer. Eles diziam para mim, repetidamente, que o que eu fazia não era programar, não era desenvolver, mesmo eu criando soluções para inúmeros problemas, como um componente para preencher valores monetários, ou para fazer buscas, timers e etc. A função do desenvolvedor era somente criar integração com o banco de dados… passei muito tempo sem entender a diferença entre design e desenvolvimento. Como eu desenvolvi um programa enorme e já o tinha deixado todo redondo, não haviam mais desafios e, como eu ganhava pouco para o enorme trabalho que eu tinha, resolvi me demitir e buscar algo mais interessante.

No começo de 2010 eu ainda trabalhava no projeto supracitado, e eu resolvi ir para o primeiro FlashCamp. Foi um evento bem interessante, que me fez interessar muito pela plataforma Flash, principalmente o Flex 4, que me deixou fascinado com a otimização e possibilidade de personalização do design. Lá também eu conheci o Samuel Rivello, um profissional, focado em projetos Flex, que me ensinou muito sobre metodologia.

Logo após eu me demitir, eu fui trabalhar em uma empresa como diretor de arte, não deu muito certo, pois me deram um computador muito ruim, um Sempron (isso em 2010, tá?) com 1GB de RAM, onboard, para fazer sites todos em Flash. De modo que eu tinha que trablahar em casa (Nessa época eu tinha um Atlhon X2 e um monitor de 22, e 4GB de RAM). Acontece que me demiti, mas o cara nunca pagou o meu mês.

Foi quando me deu aquela “guinada” e disse, vou fazer um site e abrir legalmente a PortilloDesign. Como eu não tinha dinheiro, resolvi me inscrever como MicroEmpreendedor Individual pelo o SEBRAE. Péssima ideia. Não é possível passar notas fiscais com mais de 3500 reais. Então já ferrou todas as minhas espectativas.

Pouco tempo depois comecei a trabalhar com Sam Rivello, em um projeto AIR, ainda com Flex 4 beta. Na verdade, foi bem no momento da transição entre o Beta e o Final. Ele realmente me assustava muito. Não ele, mas eu tinha aquela sensação de chefe, como em filmes, acho que é porque ele é considerado uma celebridade da área, um cara com um conhecimento bem à frente de mim e famoso e era meu primeiro trabalho profissional. Eu me atropelava muito no inglês, pois ficava nervoso. Mas ele me ensinou uma metodologia que eu nunca vou esquecer. O cara é um exemplo de organização e profissionalismo que até hoje eu tento levar em tudo o que eu faço. Confesso que eu até cometi alguns erros, mas é algo que acontece em casos assim. Mas quando ele disse “You Kick Ass This Job”, confesso que uma lagrima rolou de emoção, pelo o reconhecimento.

O problema é que eu usei o dinheiro para investir no meu i5, e mais um monitor de LED. E levei um outro calote (não com Rivello, Rivello pagou direitinho). Esse se tornou uma bola de neve de dívidas, justamente no momento que eu tinha contratado uma pessoa para me ajudar, a qual tentei pagar tudo direitinho para ela até que eu conseguisse arrumar um emprego fixo para esta.

Voltei-me então para assistir documentários e começar a estudar mais e mais a história dos negócios, na busca por uma epifania. Li livros sobre Steve Jobs, assisti diversos documentários sobre tecnologia, jogos, computadores, etc.

Novamente arrumei um sócio que não deu muito certo. Ele queria ficar com o lucro sem mexer um dedo. Afinal, como alguém que não vai trabalhar e nem ser útil em nada para o projeto, só porque vendeu para uma pessoa, iria ganhar 50%, querer ter o dirieito sobre o código fonte e ainda só querer me pagar depois do trabalho pronto??? Não dá… bem, com esse eu perdi tempo e dinheiro e ele ainda fez o favor de derrubar a cafeteira que eu ganhei de presente. Além disso, ele fazia contratos pretenciosos e capciosos.

Durante esse momento, eu percebi que o problema não estava exatamente na índole dessa pessoa, mas em uma cultura de modo geral. Eu cresci conhecendo a evolução dos computadores e a dificuldade e mudanças que foi acontecendo no meio período. Percebi que eu estava cercado de ‘micreiros’ que usam programas piratas, e que queriam continuar usando programas piratas, não se importavam com a quantidade de trabalho que outras pessoas tinham. Trabalhavam com qualidade baixa e sem se importar realmente se algo funcionava ou não. Não projetavem, não pensavam, não concluiam. Pegavam peças de quebras cabeças diferentes para montar um, ao invés de criar suas próprias peças. Decidi então mudar a PortilloDesign para um grande centro de informações.


A PortilloDesign agora seria mais que uma empresa de garagem, mas um site onde estudantes e micreiros pudessem conhecer a importância do que fazem, metodologias e técnicas para dar mais valor a seus trabalhos, enfim, valorizar o mercado e, de quebra, falar para os clientes como as coisas funcionam, para que eles possam entender os custos que estão tendo.

Hoje, cuido de alguns blogs famosos, fui convidado para reformular duas vezes a Página do Silvio Santos e estou aguardando para ver que novidades aparecerão por aí, inclusive a respeito do site do e-farsas, logo logo. No FlashCamp 2011, aprendi coisas interessantes e conheci pessoas interessantes, assim como, propostas interessantes. Mas ainda sim, não me sinto importante o suficiente para realizar um de meus maiores sonhos, ser intrevistado no Jô Sôares… mesmo tendo se passado tantos anos eu ainda busco, todos os dias, tomando café em minha caneca da Adobe, olhando para o horizonte e escutando Sade, a minha epifania.

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