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A Hipocrisia do Bom Samaritano

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Vou tratar hoje de dois assuntos que eu queria falar faz algum tempo. Havia planejado que fosse feito dividido em dois posts diferentes, mas, após repensar, notei que se trata do mesmo assunto.

Na nova década que ainda estamos começando, talvez a palavra que mais tenha se procurado usar no meio corporativo seja sustentabilidade. Apesar de que na verdade a maioria das pessoas não compreendem o seu real significado. Muitas empresas se dizem sustentáveis ou estar-se tornando melhores para o meio ambiente.

A realidade é que existe uma política acerca da grande maioria das organizações de mascarar motivos financeiros usando-se de de palavras como sustentabilidade, meio-ambiente, saúde, segurança e outras tantas que transmitem uma sensação de insegurança. Muitas empresas e governos, quando precisam movimentar ou economizar valores, transformam a sua realidade e a relata como se o objetivo da decisão fosse nobre, como se estivesse fazendo isso ou aquilo somente para apoiar uma causa importante.

Fique bonzinho e movimente a economia

No final da década de 90, o governo brasileiro obrigou a todos os proprietários de automóveis a manter um kit de primeiro socorros em seus veículos. Claro que quem não possuisse o equipamento seria multado e perderia pontos na carteira. O fato é que em primeiros socorros, quando você não tem conhecimento técnico,  deve evitar mexer no corpo, cobrir ferimentos ou tentar de alguma forma cuidar da vítima, exceto em caso de urgência à vida (como uma possível explosão ou exposição a material nocivo). Isso quer dizer que o kit se tornaria inútil. Está ali para se caso você cortar o dedo e precisar colocar um curativo, e não para realmente socorrer. Então qual é a necessidade disso em um carro?

No final da primeira década dos anos 2000, um novo tipo de conector de tomadas eletrônicas foi criado para ser usado no Brasil. Apesar de existir diversos padrões: europeu, americano, etc. Foi escolhido um padrão único no mundo, que na verdade é uma atualização do modelo antigo nacional, porém com um encaixe terra. O objetivo seria a segurança do usuário, obrigado-o, supostamente, a sempre usar o terra e aterrando o componente antes dos plugs elétricos. Mas será que todo mundo vai aterrar a casa por causa disso ou deixará um buraco a mais somente, sem aterramento?

Em ambos os casos, vemos uma desculpa nobre para na verdade estimular a movimentação da economia de um determinado setor. No caso do kit de primeiro socorros, empresas farmacêuticas começaram a criar seus kits contendo tudo aquilo que geralmente não era vendido para o consumidor comum. Imagine que todos os carros do país tiveram que comprar. Estamos falando de mais de 30 milhões de veículos automotivos. Cada kit, se bem me lembro, o mais simples, era vendido a 10 reais cada. Tirando os carros que não compraram e outros veículos como ônibus, foram mais de 200 milhões de reais (em uma época que podemos dizer que o real valia 3x mais) que estimularam o lobby da industria farmacêutica. Em 1999, devido a essas acusações, o governo aprovou o fim da lei, mas aí as empresas já tinham enchido o bolso e movimentaram muito dinheiro. O mesmo aconteceu com o caso das tomadas.

Sabemos que tomadas são itens que duram muito tempo e que por se tratar antes de padrões internacionais poderiamos importar esses componentes de outros países. Todas as novas construções imobiliárias tiveram que obrigatoriamente instalar somente os novos plugs e todos os produtos eletrônicos vendidos no Brasil só podem ser vendidos nesse novo modelo. Além de gerar lucro através dos novos plugs de parede, cada consumidor que quisesse usar um produto mais antigo (ou o contrário, mais novo em um local antigo) ou importado teria que obrigatoriamente comprar um adaptador para CADA equipamento, que é vendido em uma média que varia de 2 à 5 reais. O objetivo de ajudar a economia parada de um determinado setor está no fato de que as tomadas quase não tiveram grande modificação física. Os conectores são redondos e com a mesma distancia que anteriormente, ou seja, poucas modificações foram necessárias para que a indústria se acomodasse. Não foi necessário a criação de moldes diferenciados ou na contagem da matéria prima, tirando somente o fato desse terceiro plug. Além disso, a produção fica 100% nacional, esta, proibida de fabricar outros modelos, e isso causa prejuízos sérios para exportadores que são obrigados a importar tomadas de outros países para poder exportar produtos fabricados no Brasil. Não é óbvio que ambas as obrigatoriedades citadas foram para favorecer um lobby?

Não estamos economizando! Estamos é protegendo o meio ambiente!

Sempre procuro saber de cursos e novidades por aí. Recentemente eu li um anúncio em um curso: “Todo o material didático é enviado eletronicamente para o aluno, economizando papel e preservando o meio-ambiente”. Foi uma das maiores idiotisses que eu já li, mas é impressionante como isso é dito em diversos tipos de propostas. A realidade óbvia é que eles queriam economizar com impressões e usaram o papel e preservação como desculpa de sua avareza (certamente o material impresso seria melhor para o aluno). O mesmo aconteceu no começo do uso de sacolas plásticas. Antigamente usavamos saco de papel nos supermercados, mas os de plástico foram adotados sob a desculpa de que podiam ser reciclados e que não não precisavam derrubar árvores. Hoje sabemos que são feitos de petróleo e que acabam com o meio ambiente porque ninguém realmente quer se preocupar em reciclar os sacos.

Seguindo o que aconteceu em Belo Horizonte, São Paulo proibiu o uso de sacolas plásticas em todos os supermercados e na maioria dos estabelecimentos comerciais. Novamente voltamos a questão de movimentação da economia, a desculpa é a preservação do meio ambiente. Vamos pensar em três casos: praticidade, economia e ecologia.

Digamos que você esteja voltando cansado de casa do trabalho e passa na frente de um mercadinho. Você então tem 2 reais no bolso, o suficiente para comprar um biscoito e um refrigerante para poder comer algo. Mas vai ter que fazer uma escolha: ou levar tudo na mão ou não levar nada, pois o preço da sacola de pano é bem mais caro do que o próprio biscoito que você comprou!

Entretanto, os mercadinhos poderão comprar sacolas biodegradáveis. O que aparentemente é uma ótima opção, excetuando o fato de que elas custam 105% mais caras do que a sacola plástica comum. Isso quer dizer que é inviável para o dono comprar tantas sacolas sem ser obrigado a aumentar o preço dos produtos!

A maioria das sacolas retornáveis contém materiais que podem ser tóxicos para o meio ambiente. Claro que ainda não se teve tempo suficiente para aferir o quanto e como elas podem ser nocivas. Mas será que você vai lembrar de levar a quantidade correta de sacolas e bolsas para o supermercado sempre que for comprar? E o que acontece com aquelas compras esporádicas sem planejamento? Então sacolas plásticas fazem mal, retornáveis também e as de papel desmatam! O que faremos?… que tal pensarmos de novo no papel?

A falácia de que o papel é mal para o meio-ambiente

Muito é dito que o uso de equipamentos eletrônicos em substituição do papel é a melhor solução para nossas matas e floretas. Se formos pensar na quantidade de química que envolve as baterias acho que isso não é tão racional assim. Mas você ainda pode me questionar sobre quantidade, que a devastação seria pior usando sacos de papel e livros de papel. Mas será mesmo?

Por incrível que possa parecer, estamos em um nível que 100%, ou seja TODO O PAPEL USADO NO BRASIL É DE ORIGEM DE FLORETAS PLANTADAS. Isso quer dizer que nada é desmatado. Revistas, livros, embalagens, sacos, tudo o que é feito legalmente de papel no Brasil é feito sem prejudicar as florestas brasileiras. Papel é completamente biodegradável, agradável, resistente e não prejudica o meio ambiente. Além de que são importantes para a absorção do carbono da atmosfera. Além do mais, o papel ainda é reciclável! Será realmente que ter um tablet pc, que não dura mais do que um ano para ser ultrapassado é melhor para o meio ambiente do que um livro? Além de que precisa usar de consumo de energia elétrica, que grande parte ainda é feito de forma nada sustentável. Não estou assumindo que todos os sacos de supermercado devam voltar a ser feitos de papel, mas será que eles não poderiam conviver como alternativas às sacolas reutilizáveis?

Imagina o lucro das empresas das ditas sacolas biodegradáveis, onde os supermercados serão obrigados a comprar um material mais caro. Será que realmente um saco de papel não já pode ser considerado biodegradável?

Concluindo

O governo, empresas, e muitas pessoas públicas, utilizam a desculpa do meio-ambiente e segurança para disfarçar que na realidade estão querendo ganhar ou economizar dinheiro de alguma forma. Muitas vezes isso é evidente, outras é uma forma mais obscura de enganar o povo. Todos os casos aqui mostrados fazem com que o consumidor seja obrigado a pagar mais caro por um produto novo, que geralmente é menos eficiente que o anterior. O mesmo governo que deveria pensar no mais pobre, está querendo movimentar a economia para favorecer empresas poderosas de determinados setores. Claro, você pode afirmar que isso pode gerar empregos, mas será que realmente gera? Ou aloca alguns empregados de outras indústrias que estão falindo para uma nova? O setor de sacolas plásticas por exemplo irá por água abaixo e somente alguns desses profissionais irão trabalhar na produção de sacolas biodegradáveis. Movimentar a economia é mesmo favorecer a um determinado setor?

Quando as torres gêmeas caíram e milhares de pessoas morreram o que os Estados Unidos estavam preocupados mesmo? Ah sim, a economia, então minha gente, como George W. Bush diria:  ”COMPREM!”

3 respostas para “A Hipocrisia do Bom Samaritano”

  1. Sou fã! Adorei as considerações, acho completamente pertinente a problemática. Não tenho uma opinião rigidamente formada, mas dentro do texto me identifiquei com muitas frases e comparações, base para reflexão certamente.
    Beijokas.

  2. Reinaldo Mendes disse:

    Muito bom este texto, mas é um tema pouco conhecido.
    Cheguei aqui porque estou pesquisando sobre assuntos como a fraude do aquecimento global, e muitos assuntos relacionados a Nova Ordem Mundial.

    Hoje no meu serviço meu chefe disse algo sobre o uso de filtros de teflom para economizar papel e preservar o meio ambeinte.

    Daí eu me questionei, papel é feito de árvores, arvores podem ser plantadas, logo se fizer uma área de plantio só para fazer papel você não estará desmatando.

    Daí veio a segunda pergunta, será que o papel demora para se decompor como outros materiais, a resposta é não.

    Então para quê economizar papel?

    Acho bom você dar uma olhada neste link se quiser entender como funciona a manipulação midiática e o condicionamento mental.
    http://www.espada.eti.br/midia.asp

  3. Gilmar Lopes disse:

    Muito boas as considerações do artigo. Também tenho algumas dúvidas:
    1 – Quanto tempo realmente demora para um saco plástico se decompor na natureza? Alguns afirmam que leva 100 anos, outros dizem que são 50 anos… A verdade é que ainda não existem estudos ciêntificos para determinar com exatidão o tempo de decomposição das sacolinhas plásticas.
    2 – Dentro de 1 sacolinha de supermercado podemos levar vários produtos embalados em sacos plásticos. Será que as embalagens plásticas dos produtos não fazem mal à natureza também?
    3 – Concordo com o autor desse artigo quando ele afirma que, no fundo, trata-se apenas de economia. Um supermercado de médio porte gasta em torno de R$ 10.000 mensais somente com sacolinhas. Um gasto que, teoricamente, o dono do estabelecimento tem que ‘tirar do bolso’. Se não precisar gastar com isso, melhor pra ele.
    O curioso é que, para cobrar as sacolinhas, o comerciante as inclui no valor dos produtos vendidos e agora que as sacolinhas estão proibidas o valor dos produtos não diminui nenhum centavo.

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